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Quando os livros voltam a chamar por nós

As minhas sugestões de leitura para este ano 2026


Recomeçar a ler raramente tem a ver com falta de tempo. Quase sempre tem a ver com excesso de ruído. Dias cheios, cabeça cansada, notificações constantes, expectativas altas. Os livros pedem silêncio, presença e algum espaço interior, e quando isso falta, a leitura fica adiada. Não por desamor, mas por cansaço.


Durante muito tempo achei que precisava de ler mais, mais páginas, mais títulos, mais listas. Hoje percebo que o verdadeiro recomeço acontece quando tiro a pressão. Quando aceito ler devagar, parar a meio, voltar atrás, reler uma frase só porque sim. Quando a leitura deixa de ser obrigação e volta a ser prazer.


O ano de 2025 foi intenso. Um ano de testes, mudanças e desgaste emocional. Ainda assim, mesmo no meio do caos, os livros continuaram a aparecer. Alguns chegaram por acaso, outros foram escolhidos com intenção, mas todos tiveram algo em comum, fizeram companhia, criaram pausa e ajudaram-me a respirar melhor.


Recomeçar a leitura é permitir-nos escolher livros que nos chamam, não aqueles que dizem que temos de ler. É aceitar largar um livro sem culpa. É perceber que cada fase da vida pede histórias diferentes. Há livros para o silêncio, livros para a inquietação, livros para quando estamos fortes e livros para quando estamos cansados.


Este artigo nasce exatamente desse lugar. Do desejo honesto de voltar a sentir vontade de abrir um livro. De deixar que a leitura volte a ser refúgio, companhia e espaço seguro. Às vezes não precisamos de mudar tudo na vida, basta mudar o livro que temos nas mãos.

Sugestões de leitura para recomeçar


Para quem sente vontade de voltar a ler, mas sem pressão, deixo aqui uma lista pensada com calma. Mistura autores portugueses, brasileiros, clássicos universais e uma leitura contemporânea recomendada pela crítica internacional.


São livros para ritmos diferentes e momentos diferentes.


1 | Ela, Metafisicamente d’outro mundo, de Pedro Freitas, Poeta da Cidade

Um livro de poesia contemporânea que fala de amor, ausência e humanidade com uma linguagem próxima e direta. Ideal para recomeçar a ler aos poucos, um poema de cada vez.


2 | Cadernos de Lanzarote, de José Saramago

Uma leitura íntima e reflexiva, onde o quotidiano se cruza com pensamento crítico, escrita e consciência do mundo.


3 | Dom Casmurro, de Machado de Assis

Curto, irónico e sempre atual. Um clássico brasileiro que continua a levantar perguntas sobre amor, memória e verdade.


4| Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa

Um livro exigente, mas profundamente transformador. Para quando há tempo e vontade de mergulhar numa linguagem rica e intensa.


5 | 1984, de George Orwell

Um clássico universal que nunca perdeu atualidade. Direto, inquietante e impossível de ignorar.


6| O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway

Simples na forma, profundo no significado. Ideal para recomeçar a ler sem cansaço.


7| The Writing in the Water, de John Ajvide Lindqvist

Uma leitura recomendada pelo New York Times. Parte de um crime, mas rapidamente se transforma numa história mais profunda, feita de silêncios, tensão emocional e personagens densas. Um livro para ler devagar e deixar assentar.


Esta lista não é definitiva nem perfeita. É apenas um ponto de partida. Um convite a escolher um livro, abrir a primeira página e permitir que a leitura volte a ocupar um lugar natural na rotina e na vida interior.


Se este artigo te fizer ter vontade de voltar a ler, nem que seja apenas algumas páginas antes de dormir, então já cumpriu o seu propósito. Porque recomeçar a leitura é, muitas vezes, uma das formas mais bonitas de recomeçar por dentro.



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